Pobre cidade rica

Tivemos a oportunidade de conhecer o ex-prefeito que fundou o povoado onde moramos, em cuja escola lê-se seu nome.

Durante seus dois mandatos, antes da era da soja, quando o orçamento municipal girava em torno de 10 ou 12 mil reais por mês, foi possível fazer poucas coisas pela cidade. Apenas conseguiu asfaltar e calçar 50% das ruas, proporcionar água encanada a toda área urbana e em alguns povoados, inclusive de graça, para os mais pobres. Também construiu algumas escolas e o primeiro e único centro cirúrgico num raio de 150km, e deixou a prefeitura sem qualquer dívida para seu sucessor.

Hoje, 12 anos depois, a expansão do cultivo de soja multiplicou por 100 o orçamento da cidade, mas ele conta com pesar, que as ruas estão vergonhosamente esburacadas, as escolas sem professores qualificados, e o hospital, antes referência regional, agora ministra soro e fornece o transporte de doentes para outras cidades.

O velho ex-prefeito não consegue entender a administração do agora terceiro maior PIB per capta do país. Nem eu, também.