A Oportunidade

Em nossa primeira visita à igreja local, logo entendemos o costume Assembleiano de oportunidades, em que todos devem participar. Sem um programa pré-definido, as pessoas se alternavam no púlpito ora cantando, ora testemunhando ou fazendo alguma apresentação que representasse sua devoção e sua fé. E todos repetem o cumprimento inicial, e ao final, um agradecimento especial: "Agradeço a oportunidade!"

De repente, sem qualquer aviso, eis que o dirigente olha em nossa direção, e sem nenhuma cerimônia diz: "Agora vamos ouvir um hino com a irmã, aí" apontou com o beiço, sem saber nomes. Eu olhei para Valéria sem querer acreditar no que entendi estar acontecendo. Ela por sua vez, mais chocada que eu, olhou para trás, em busca da pessoa convidada, e como não houvesse mais ninguém depois de nós, me olhou como quem pergunta: Isso é comigo?

"É a irmã mesmo!" bradou o homem ao microfone, eliminando nossas dúvidas e esperanças. Corajosamente, ela se dirigiu ao púlpito como quem sempre esteve preparada para tal, disfarçando perfeitamente o pânico que eu sabia estar sofrendo. Eu, em meu desespero solidário, tentava imaginar o que ela iria fazer, sem saber como ajudar.

E Valéria cantou um hino que sabia decorado do Cantor Cristão, resolvendo o terrível momento e arrancando entusiasmados améns e aleluias dos presentes.

Hoje, até gostamos de participar dos agradáveis cultos da Assembléia. Mas ainda não gostamos de surpresas. Sempre nos preparamos para cantar, orar, pregar e para qualquer outra coisa que se possa fazer numa igreja.